Gerenciador de arquivos no linux
9,452 acessos
Gerenciadores modo texto
Apesar de não ter a maquiagem e o encanto de ícones e janelas, esses gerenciadores são poderosos e muito eficientes. Ocupam espaço reduzido na memória e consomem poucos recursos do sistema. Quem usou o DOS deve ter tido algum contato com XTREE, DOSSHELL ou Norton Commander. Para Linux, temos vários clones dessas consagradas aplicações da idade do bronze da informática. O Midnight Commander assemelha-se ao Norton Commander. O xt e o xtc imitam o modo de funcionamento do XTREE. O Pilot é um gerenciador simples, que acompanha o Pine(tm). Mas o melhor gerenciador de todos os tempos está disponível para console: os dedos guiados pelo cérebro! O pacote fileutils da GNU fornece comandos como ls, mv, rm, cp, chmod, chgrp, df, du, dd, ln… Este é o melhor gerenciador de arquivos que existe (se você usa Linux, provavelmente já teve que digitar algum comando desses). Mas em alguns casos torna-se conveniente a utilização de um programa “modo texto” para auxiliar a tarefa.
- MC – O Midnight Commander é um gerenciador bastante utilizado pelos linuxers por causa dos recursos até hoje sem concorrentes. É bastante configurável e possui suporte para cliques de mouse para abrir arquivos, executar aplicações, mudar de diretórios ou acessar o menu de comandos, além de indicar o espaço em disco ocupado pelos arquivos (botão direito). A tecla Tab alterna entre os painéis e a tecla Enter ativa o item selecionado (arquivo ou diretório). As operações com arquivos estão ao alcance das teclas F1-F10, indicadas na base, e pela tecla F9 chega-se aos comandos do menu suspenso. Existe também um prompt para digitar comandos. A interface é formada por menu suspenso, dois painéis verticais com a lista de arquivos ou diretórios e o prompt/mapa de teclado na base (figura página seguinte). Ela possui um editor/visualizador interno capaz de exibir/editar o conteúdo de vários formatos de arquivos. Você pode até mesmo navegar dentro de um arquivo compactado (.tar.gz, .tar.bz2) ou de um pacote rpm, sem a necessidade de um programa auxiliar (um feature muito apreciado). Outra característica positiva do MC é a possibilidade de se conectar a outros computadores via ftp ou nfs, permitindo o acesso remoto para gerenciamento de arquivos.
- XT – O xt possui suporte para cliques com mouse e apresenta visão em dois painéis (como o MC) e em árvore (como o XTREE). Os comandos são executados através de atalhos de teclado devidamente indicados no painel inferior do xt. Alguns atalhos: F1 abre o menu de ajuda, Enter alterna entre os modos de visualização e F8 divide o painel em dois. O leque de comandos é completo e um recurso bastante útil é o que permite a visualização de arquivos nos modos ASCII, HEX e DUMP (entre outros). O xt utiliza o vi como editor padrão, mas você pode escolher qual editor deseja utilizar. O menu de configuração elimina a necessidade de editar manualmente o ~/.xtrc. Se você utilizava o XTREE no DOS, esta talvez seja uma boa alternativa. A licença não é GPL, mas ele pode ser livremente redistribuído (freeware).
- XTC – É outro clone do XTREE. Ainda está em desenvolvimento e conta com recursos para manipular arquivos e diretórios (com suporte a arquitetura UNIX de nomes longos, permissões e links simbólicos). Útil para operações simples, como copiar, renomear e apagar arquivos. O autor, Peter Kelly peter@area51.org.au, pede para que mais programadores o ajudem a desenvolver o aplicativo.
- Pilot – O Pilot é um gerenciador simples, baseado no famoso agente de e-mail Pine ™. Como todos os outros gerenciadores para modo texto, seus comandos são impressos na base da tela. Serve para operações básicas, como apagar, renomear, copiar, visualizar e editar arquivos (usa o Pico para esta tarefa). Pode ainda lançar programas e procurar arquivos. Um sistema de ajuda também está disponível.
Gerenciadores gráficos
Para quem prefere o mouse, existem várias opções. Os gerenciadores de arquivos modo gráfico para Linux seguem conceitos apresentados por gerenciadores de outros sistemas operacionais. Alguns apresentam a árvore de diretórios com o painel do lado direito exibindo o conteúdo do diretório, enquanto outros exibem dois painéis para facilitar a cópia de arquivos.
- KFM – É o gerenciador padrão da primeira versão do KDE. Os ícones do desktop apóiam-se no KFM. Isso permite arrastar e soltar ícones entre as janelas do próprio KFM e outras aplicações KDE (muito do poder do KFM é devido a esse recurso). Por exemplo, você pode arrastar um ícone de arquivo texto e soltá-lo no Kedit. Funciona também como browser de Internet, sendo capaz de conectar-se a sites FTP. O KFM não faz distinção entre arquivos locais e da rede, e para baixar arquivos de um site é necessário arrastar o ícone do arquivo remoto para alguma pasta local. É o gerenciador ideal para o usuário iniciante. Por isso é padrão das distribuições Corel, SuSE, Caldera e Mandrake.
- GMC – É o MC portado para o ambiente gráfico. Esse gerenciador é um dos mais eficientes para a plataforma Linux e é uma aplicação essencial para o ambiente GNOME. É muito fácil de usar e, como o KFM, possui suporte para arrastar e soltar ícones entre as janelas do gerenciador e as aplicações (somente entre aplicativos escritos para o GNOME). Por exemplo, é possível arrastar arquivos de imagem diretamente para o Gimp sem a necessidade de lançar o diálogo de abertura de aquivos. Conta com os mesmos recursos encontrados no MC, o que inclui conexão com sites FTP e visualização de arquivos compactados e pacotes rpm.
- XFM – Esse foi um dos primeiros gerenciadores gráficos a surgir para a plataforma Linux. Possui ícones, suporte para drag&drop e é bastante configurável. Possui uma janela de aplicações e janelas do gerenciador com três modos de visualização: árvore (um pouco primitivo, mas funcional), ícones e texto. Por ser relativamente leve, é a escolha ideal para sistemas antigos.
- FSViewer – Tem a intenção de ser um clone do FileViewer que existe no NeXT. Foi escrito em C e utiliza a biblioteca WINGs. Ainda está em desenvolvimento, mas, se você for um fã do NeXT, não deixa de ser alternativa para usar com o WindowMaker. Possui suporte para drag&drop para os ícones do WM, ou seja, para arrastar um ícone de imagem do FSViewer para o dock e colocar a imagem como fundo de tela (isso se o seu dock estiver configurado “de fábrica”). Também é possível configurar os diversos ícones do WM para executar comandos distintos quando receber um ícone do FSViewer, como abrir o emacs quando um ícone de um arquivo texto for arrastado até o ícone acoplado no dock correspondente ao emacs.
- DFM – O dfm (Desktop File Manager) é um gerenciador de arquivos que simula a aparência e o funcionamento do OS/2 WPS. Possui a capacidade de colocar ícones na janela root de seu gerente de janelas, lançar programas através de cliques de mouse e montar dispositivos. O programa lê o arquivo /etc/fstab e se configura automaticamente. Os comandos para manipulação de arquivos estão acessíveis no menu que surge ao clicar o botão direito do mouse sobre o ícone.
- EmelFM – O EmelFM apresenta dois painéis para navegação entre diretórios com uma coluna de comandos ao meio. Conveniente para manipular os arquivos exibidos nos painéis. Um menu de comandos é aberto ao clicar o botão direito do mouse sobre um arquivo ou diretório. É bastante configurável, sendo possível atribuir programas/comandos para os diferentes tipos de arquivo. Por exemplo, pode-se atribuir o comando mpg123 %s para reproduzir arquivos mp3. Outro recurso é o de marcadores (bookmarks), que são atalhos para os diretórios mais visitados.
- Gentoo – O Gentoo foi escrito totalmente em C, utiliza a biblioteca GTK e é similar ao Amiga DirectoryOpus. Apresenta dois painéis para visualização de diretórios e arquivos. As operações com arquivos e diretórios são realizadas ao clicar em botões na base da interface, e um menu de contexto aparece ao clicar o botão direito do mouse. Possui um menu de configuração completo para personalizar e ajustar o funcionamento do Gentoo sem a necessidade de editar arquivos manualmente. Identifica inúmeros formatos de arquivos.
- GFile – O GFile é um gerenciador simples escrito em GTK. Realiza apenas operações básicas, como copiar, recortar e colar. Possui o modo de visão em árvore e em dois painéis. Um bom recurso do GFile é o que possibilita arrastar ícones para aplicações GNOME. Ele pode, por exemplo, arrastar um arquivo .txt para o gEdit ou o GXedit.
- Nautilus – O Nautilus promete ser o gerenciador de arquivos para Linux mais fácil de usar. É desenvolvido por programadores que foram integrantes da equipe que desenhou o MacOS. Ainda está em fase de testes. Ao iniciar o aplicativo pela primeira vez, a interface apresenta um pequeno painel do lado esquerdo (sidebar – com árvore, ajuda, notas e histórico) e um painel principal, com diversos modos de visualização (ícones – com vários níveis de zoom – ou lista detalhada). A apresentação gráfica é impecável e totalmente configurável (fundos, temas). Um recurso que causa boa impressão é a pré-visualização do conteúdo de arquivos como ícone. No arquivo texto, o ícone apresenta as primeiras linhas do texto. No arquivo de imagem, o ícone é a própria imagem. Arquivos mp3 podem ser tocados diretamente pelo Nautilus. Existem também emblemas para ícones – várias figuras para adornar o ícone e indicar algum estado (o.k., confidencial, rascunho, favorito, urgente, pessoal, importante etc.). Não é necessário sair do Nautilus ou utilizar programas auxiliares para visualizar arquivos ASCII, HTML (ele usa o engine do mozilla para essa tarefa), páginas Man e Info, gráficos (jpg, gif, png), PostScript, pacotes RPM, arquivos compactados (zip, gzip, bzip2, tar) e arquivos de música (executáveis pelo mpg123). Aguarde um artigo exclusivo sobre esse gerenciador.
- Kcommander – É um gerenciador de arquivos que segue o conceito de dois painéis com os botões na base. Possui várias ferramentas úteis, como um menu para dividir arquivos em pedaços (e depois juntá-los), compactação de arquivos com um clique de mouse, formatador de disquetes, ferramenta de busca de arquivos, acesso a rede e informações do sistema.
- Konqueror – O Konqueror é o gerenciador de arquivos e navegador Internet do KDE2. A grande novidade fica por conta do visualizador de arquivos. Você pode ver vários formatos de documento dentro das janelas e dos painéis do Konqueror. É totalmente configurável e apresenta várias melhorias em relação ao KFM, tanto na interface com o usuário como em recursos do programa. Leia mais detalhes sobre o Konqueror, o programa mais burilado pela equipe do KDE, na reportagem de capa desta edição.
- Kruiser – Semelhante ao Explorer, com árvore de diretórios, visão por ícones, lista e detalhes. Muito útil para arrastar e soltar ícones dentro do próprio gerenciador (observação: os ícones do Kruiser não interagem com os ícones do KFM).
Para saber mais
Xt – www.arkanda.net/unixtree
XTC – www.area51.org.au/xtc
Pilot – www.washington.edu/pine/
KFM – www.kde.org
GMC – www.gnome.org/mc
Xfm – www.musikwissenschaft.uni-mainz.de/~ag/xfm/
Xwc – study.haifa.ac.il/~mbaranov/xwc.html
FSViewer – www.csn.ul.ie/~clernong/projects/fsviewer.html
Dfm – dfm.online.de/dfm.html
Mfm – www.core-coutainville.org/mfm/
EmelFM – www.pitt.edu/~macst92/emelfm/
Gentoo – www.obsession.se/gentoo/
Nautilus – www.eazel.com
Kruiser – devel-home.kde.org/~kruiser/
Kcommander – www.codewizards.org/kcommander
Konqueror – www.konqueror.org
GLOSSÁRIO
Root window é a janela de fundo do seu desktop. Dependendo da sua preferência, pode colocar um papel de parede ou definir uma cor nesse espaço.